1 de out de 2013

Seu último dia.

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Em um lugar, que muitos não conhecem, tinha uma garota, perto da morte. Em sua cabeça se vivesse todos os dias como o último, perdoasse os inimigos e falasse com pessoas distantes poderia se livrar de seus pecados. Tinha dezoito anos e por cinco anos fez uma lista do que faria até seu último dia de vida. Cada um recebeu um asterisco por não ter conseguido o fazer, assim diminuindo a lista. Entre os quinze itens citados uns eram mais especiais para ela, como se apaixonar ou até mesmo voltar a ter contato com sua mãe, que em sua cabeça havia a abandonado por não suportar o fato de ver a filha morrer por culpa do câncer. Sua família era pobre e não tinha as mínimas condições de dar uma vida mais confortável a ilha que aguardava, sem medo, a morte.

Uma vez uma amiga viu sua lista e a perguntou “Você está disposta a ir ou pagar qualquer coisa para realizar seus desejos?” a garota não soube responder. Annica o nome da garota, antes que eu me esqueça. Annica ficou por dias com aquilo na cabeça, procurando a resposta.

A sua amiga a considerava uma guerreira, nem quando soube que a quimioterapia não faria mais efeito ou que tinha mais cinco meses de vida ela não deixou de seguir a lista e tentar ser feliz. Na sua última semana a mãe dela foi a visitar. Ela considerou tudo feito. “Você não se apaixonou” falou sua amiga “Você não sabe” ela respondeu com um semblante feliz.

Seus últimos dias foram calmos e alegres. Annica morreu em casa, porém sozinha. Aprendi que, mesmo se tendo milhares a sua volta, você morrerá sozinho. Na verdade, ela me ensinou. Ensinou-me que podemos ter dignidade em toda nossa vida, mas morremos sem ela. Mas com ela aprendi a ser feliz.


Uma vez ela me perguntou “Se hoje fosse seu último dia, o que faria?”, ela deve estar até agora no aguardo da resposta. Faria o mesmo que ela: procuraria a felicidade.